Arte Rupestre: a origem das expressões artísticas



A Arte Rupestre foi a primeira forma de expressão artística e comunicação escrita do homem, das quais temos conhecimento. Através das imagens gravadas e pintadas nas cavernas e rochas, o homem nômade comunicava seu dia-a-dia e registrava as experiências vividas em cada meio, inclusive para alertar outros que mais tarde passariam por aquele lugar. Mas será que realmente podemos considerar os desenhos rupestres como forma artística?


Antes da descoberta das formas de exploração a agricultura, o homem sempre foi um ser nômade. Por não ser o mais forte ou mais ágil dos animais pré-históricos, sua principal ferramenta de sobrevivência era sua inteligência acima da média das demais criaturas. Com isso, o homem logo percebeu, já naquela época, que para sobreviver, tanto como indivíduo quanto como espécie, uma excelente estratégia era o agrupamento, o qual o levaria a conviver com outros indivíduos cotidianamente e a formar relações pessoais. É daí que deriva o nosso senso de coletividade e a necessidade por afeto e proximidade com o outro que carregamos até hoje: é uma memória genética que alerta nossos instintos da necessidade do outro para a nossa própria sobrevivência.


Mas o que isso tem a ver com arte? Bom, se você sabe que a arte deriva dos sentimentos e intuições e a expressão de um ser tem o poder de causar diversas sensações em outros, acho que já entendeu aonde estamos chegando. A Arte Rupestre, como já dissemos, tinha a função de narrar o cotidiano de um grupo e suas experiências. Além disso, cumpria o papel de alertar o próximo grupo nômade que por ali passasse em relação ao que poderiam encontrar naquele local. Naturalmente, as experiências muitas vezes eram acompanhadas de sensações. Assim, o homem que registrava o momento em que estava ameaçado por outras criaturas precisava demonstrar a ideia perigo e, com isso, provocar no próximo que veria seu registro a sensação de medo, e assim alertá-lo dos riscos que poderia encontrar ali.


Agora, pensemos em algumas formas mais recentes de arte. O pós-modernismo, por exemplo, comunica ideias, por vezes inclusive negando ignorando a estética; O expressionismo, por sua vez, transmite sensações das mais diversas e intensas; O modernismo relata, através da arte, momentos de guerra e de mudança social. E para o nosso espanto, todas estas características são presentes na Arte Rupestre! O relato de uma experiência, seja ela boa ou ruim, o registro das sensações percebidas e a comunicação de ideias de armadilhas que poderiam ser utilizadas, por exemplo, além, é claro, do crescimento do homem enquanto ser social e cada vez mais inclinado aos afetos, fazem com que a Arte Rupestre não apenas seja uma forma artística, mas a mãe de todas as que seriam pensadas a partir dela.


Muito se fala na necessidade de respeitarmos a nossa História, mas muito pouco lembramos sobre o legado deixado pela Pré-História. Grande parte do que somos hoje, tanto como sociedade quanto como indivíduos, é derivado de nossos ancestrais, e a origem das nossas expressões artísticas, que tanto retratam nossa realidade, nos confortam em momentos de angústia e agradam nossos sentidos, são uma herança impressionante com a qual fomos presenteados.