20/09/2021

Arte moderna, pós-moderna e contemporânea

 

 

Você já olhou ou conversou sobre uma obra de arte e não teve certeza se deveria caracterizá-la como moderna, pós-moderna ou contemporânea? Esta é uma dúvida muito comum para muita gente, e hoje vamos te ajudar a entender melhor estes conceitos e diferenças.

 
 
 

Iniciemos pelo Modernismo. Inaugurado após o fim da corrente do realismo, que primava por representar a realidade de forma fiel e sem idealizações, o modernismo deve ser entendido como o início de um verdadeiro movimento humano com raízes sociais que refletiu nas modalidades artísticas, em especial nas artes plásticas e na literatura. Despontou na primeira metade do século XX, motivado pelas grandes mudanças sociais que ocorriam ao redor do mundo, tais quais o desenvolvimento da tecnologia, as revoluções industriais, o levante de líderes nacionalistas e a ascensão de regimes totalitários.

 
 
 

As principais características do movimento modernista nas artes visuais são o culto à liberdade de expressão, a rejeição dos padrões artísticos, a expressão informal e popular, a irreverência, a fuga e a relativização da estética, a apropriação de deformidades e o uso arbitrário das cores. As produções modernistas são, portanto, carregadas de críticas à exaltação do que era considerado belo, culto e apropriado, por vezes inclusive determinado pelos governos, e representava a voz popular em um momento em que muitos países passavam por situações de guerra e opressão política e social. Algumas expressões derivadas do modernismo são o cubismo, o surrealismo, e o dadaísmo, representados por artistas como Pablo Picasso (1881-1973), Salvador Dalí (1904-1989) e Marcel Duchamp (1887-1968). No Brasil, o evento da Semana de Arte Moderna consagrou o movimento, representado nacionalmente por artistas como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Cândido Portinari.

 
 
 

O pós-modernismo, por sua vez, surgiu após a Segunda Guerra Mundial e foi marcado pela crítica à relação de submissão do indivíduo perante o Estado, às formas de produção industrial, às novas tecnologias de comunicação e informação, como a televisão, e à consequente instauração dos padrões de consumo. Conhecido por explorar técnicas artísticas inovadoras, como o pontilhismo, a colagem e a gravura, o movimento gerou vertentes como a Pop Art e o minimalismo, e contou com nomes como Roy Lichtenstein (1923-1997), Andy Warhol (1928-1987) e Jackson Pollock (1912-1956).

 
 
 

É difícil traçar uma linha concreta entre o pós-modernismo e a arte contemporânea, pois esta última é justamente a que está sendo produzida nos dias de hoje. Contudo, sabendo que a arte é um reflexo das transições da sociedade, é impossível não esperarmos as influências do salto tecnológico que vivemos desde a Guerra Fria. Com a internet e as novas plataformas que se atualizam a cada dia, o espaço de produção se ampliou muito. As artes digitais, por exemplo, possibilitaram a criação, reprodução e releitura artística em níveis nunca antes possíveis. A velocidade da informação fez com que o mundo tenha acesso às influências de qualquer artista e movimento. A própria existência dos chamados “memes”, apesar de nos parecer corriqueira, carrega forte influência de movimentos artísticos revolucionários como o dadaísmo, o surrealismo e o cubismo e inaugura novas técnicas como a “colagem digital”.

 
 
 

A arte contemporânea acompanha o momento histórico que vivemos hoje. E nosso momento é recheado de fatos e eventos inéditos que se refletem nas mais novas e variadas formas de arte. Por isso, é perfeitamente compreensível confundirmos a arte contemporânea com suas precursoras, principalmente porque, a partir do modernismo, a forma de fazer e interpretar a arte teve acrescido um novo elemento que, desde então, nunca mais abandonou as expressões artísticas: a crítica. Esta nova característica muitas vezes carrega desconforto e quebra de paradigmas e, por vezes, até mesmo ignora ou foge da estética e até mesmo das emoções, que tanto pautaram e intercalaram-se nas escolas anteriores, passando a priorizar a comunicação popular e os posicionamentos das ideias. Isto pode ser atribuído às várias mudanças no contexto mundial e às introduções tecnológicas, que criaram, de um lado, novos cenários que permitiram a universalização da comunicação e da informação, do outro, novos desafios sociais, ideológicos e políticos.

 
 
 

Depois dessa explicação, duvido que você fique com cara de ponto de interrogação quando alguém te falar de modernismo, pós-modernismo e arte contemporânea!

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